quarta-feira, 15 de julho de 2026

Coluna do mês: A educação cinematográfica: entre a lei e a formação humana, por Thelma Panerai Alves


No Brasil, desde 2014, a Lei 13.006 determina a exibição de filmes brasileiros na Educação Básica. A conquista foi importante. Afinal, reconhecer o cinema como parte da formação escolar significa reconhecer que educar não é apenas transmitir conteúdos, mas também formar sensibilidades, ampliar horizontes e cultivar modos de ver o mundo. Entretanto, mais de uma década depois, uma pergunta permanece: exibir filmes é suficiente?

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Jogos de simulação e experimentação do mundo

  

 Caio Túlio Olímpio Costa

Os jogos de simulação são uma das formas mais instigantes de compreensão e experimentação do nosso mundo contemporâneo. A proposta desse gênero não consiste apenas em representar a realidade, mas na verdade criar sistemas interativos nos quais as pessoas jogadoras possam testar hipóteses, observar consequências, tomar decisões e compreender relações complexas entre ações, regras, ambientes e sujeitos. Em jogos digitais como The Sims, SimCity, Civilization, Papers, Please ou Microsoft Flight Simulator, o nosso mundo aparece como cenário, mas também como um conjunto de processos organizados por regras particulares. Nesses ambientes, as pessoas jogadoras são convidadas a contemplar uma situação, mas também agir sobre ela, acompanhar seus desdobramentos e aprender, ainda que de forma parcial e mediada, como determinados sistemas funcionam.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Projeto GENER8ION: a visão de um futuro próximo e preocupante

 Ana Beatriz Gomes Carvalho
 
O projeto GENER8ION é uma iniciativa audiovisual colaborativa e multidisciplinar liderada pelo produtor e compositor Surkin e pelo cineasta Romain Gavras. Sua proposta consiste em "imaginar um futuro próximo, situado em 2034, no qual a humanidade enfrenta profundas transformações sociais, tecnológicas e ambientais. O projeto reúne música, cinema, dança, arte contemporânea e instalações imersivas".

sábado, 20 de junho de 2026

Narrativas autobiográficas e formação de professores: quando a experiência se torna conhecimento

  

 Thelma Panerai Alves 

Todo professor já ouviu frases como: “Na minha época não era assim”, “Quando eu era aluno…” ou “Lembro da professora que mudou a minha vida”. Curiosamente, antes mesmo de abrir um livro de didática ou participar de uma formação continuada, muitos professores já carregam um repertório considerável sobre educação. A formação docente, portanto, não começa no primeiro dia da universidade. Ela começa muito antes: na carteira da escola, nas conversas de corredor, nas lembranças de uma professora inspiradora, de um professor temido ou daquela apresentação em grupo que ninguém queria fazer.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Quando a Escola Vai ao Cinema: Potência Pedagógica da Linguagem Audiovisual

        

Thelma Panerai Alves 

 

A presença do cinema na escola ultrapassa a ideia de utilizá-lo como recurso complementar para ilustrar conteúdos curriculares. Pesquisadores do campo da educação, da comunicação e da cultura visual têm defendido que o cinema é uma das mais ricas expressões da linguagem audiovisual, capaz de produzir experiências estéticas, afetivas, cognitivas e éticas que contribuem para a formação dos sujeitos. Entre suas diversas expressões, o cinema ocupa lugar de destaque por sua capacidade de articular imagem, som, narrativa, memória e emoção em processos significativos de formação humana. Neste sentido, quando a escola vai ao cinema, ou quando o cinema entra na escola, abre-se a possibilidade de ampliar e potencializar os modos de ensinar, aprender, sentir e compreender o mundo.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Autobiografias e Educação: quando a experiência vira conhecimento

    

Thelma Panerai Alves 

 

Todos nós carregamos histórias. Algumas são contadas repetidamente em rodas de conversa, encontros familiares ou entre amigos. Outras permanecem guardadas em fotografias, cartas, diários ou simplesmente na memória. Durante muito tempo, porém, essas histórias pessoais foram consideradas pouco relevantes para a produção do conhecimento científico. Afinal, acreditava-se que a ciência deveria buscar distância, neutralidade e objetividade.

Nas últimas décadas, esse entendimento começou a mudar. Pesquisadores de diferentes áreas passaram a reconhecer que a experiência humana também produz saberes e que as narrativas de vida podem revelar aspectos importantes da formação, da aprendizagem e da construção das identidades. Nesse contexto, as autobiografias conquistaram espaço significativo na educação.

Mas o que acontece quando uma pessoa narra a própria trajetória?

Educação e tecnologias: possibilidades para a pesquisa

  

 Ana Beatriz Gomes Carvalho

 

Nas últimas décadas, a pesquisa em Educação e Tecnologias passou por uma transformação significativa. Se, no início dos anos 2010, grande parte das investigações estava voltada para questões de acesso, inclusão digital e incorporação de computadores nas escolas, hoje o foco se desloca para fenômenos muito mais complexos, que envolvem elementos da cultura digital, inteligência artificial, narrativas transmídia, redes sociais, jogos digitais, cultura maker e novas formas de produção e circulação do conhecimento. Essa mudança acompanha as transformações da própria sociedade. As tecnologias deixaram de ser percebidas apenas como ferramentas de apoio ao ensino para serem compreendidas como elementos que participam da construção das experiências culturais, sociais e educativas contemporâneas. Nesse contexto, as pesquisas passaram a investigar não apenas o que as pessoas fazem com as tecnologias, mas também como elas produzem sentidos, estabelecem relações, constroem identidades e aprendem em ambientes cada vez mais conectados.